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Um estilo atual

MEL SOARES é daquelas que transforma o problema em solução. Com 34 anos, tem mais de 40 mil seguidores no instagram @relaxaaifofa e é uma supermulher!

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Mel foi mãe aos 23 anos e a maternidade lhe trouxe, além do conhecimento do amor incondicional, uns quilos a mais. O ganho de peso após a gravidez era visto como seu maior problema, então, ela o transformou em solução.

Hoje, com 34 anos, comemora o sucesso do blog (que está no ar há sete anos) e o retorno positivo que recebe diariamente das seguidoras: “Eu recebo esse feedback todos os dias, de como meu trabalho ajuda na autoestima delas, porque podem ver que uma mulher negra e gorda pode ser bonita, divertida, fashionista, sexy”.

Cheia de estilo, ela conta que não há regra ao se vestir. Se gosta de algo, vai lá e usa! Acha que a postura da mulher ao usar algo faz as pessoas respeitarem as suas escolhas.

E para os pés, ela conta a experiência com a Piccadilly: “Eu nunca imaginei gostar tanto de um tênis quanto gosto e uso o meu Piccadilly. Muito importante a marca olhar para todos os tipos de pés e mulheres. Afinal, unir conforto e modernidade é aposta certa”, finaliza.

 

Revista Piccadilly: Fale um pouco sobre você: carreira, namoro/casamento/família, o que gosta de fazer…

Mel Soares: Bem, tenho 34 anos. Fui mãe aos 23, tive um relacionamento abusivo e me libertei aos 24 anos. Conheci meu marido e estamos juntos há 10 anos. Foi amor ao primeiro beijo. Eu passei quatro anos da minha vida perdida profissionalmente, nunca me encaixava em algo e sempre achava que o problema era eu… mas a verdade é que até começar com o blog, eu não sabia do que gostava mesmo de fazer.

O ganho de peso depois da gestação era visto como o meu maior problema. Então, eu fiz virar solução. No começo, não ganhava nada com o blog e minha família não encarava como algo como trabalho. Somente minha mãe, que tirava minhas fotos, desde o começo, me apoiava, ela nunca me criticou ou me fez pensar em desistir. Hoje, meu maior passatempo (quando sobra um tempo) é assistir a filmes. Eu sou viciada em filmes de terror.

R.P.: Mais de 40 mil seguidores é um número expressivo no Instagram. Como sua história nas redes sociais começou?

M.S.: Tudo começou em 2010 quando eu estava em mais um emprego que não me fazia feliz e, do nada, procurei: Gordinhas Bonitas… Apareceram poucas opções, mas entre elas, conheci a Camila Cura e a Thayane Oliveira que eram blogueiras. Eu nem sabia o que era um blog. Elas davam dicas de moda e achei aquilo o máximo. elas postavam as roupas que usavam para ir trabalhar, sair. Foi então que descobri que queria fazer isso também.

Sentei naquela mesma noite e fiquei por mais de uma hora pensando em um nome para meu blog. Tinha de ser algo legal, mas suave, um nome “de boa”, foi aí que nasceu o Relaxa aí Fofa. Comecei o blog e só tinha uma calça jeans e uma legging… usava muita roupa do brechó da esquina que eu comprava por cinco reais, nunca tinha usado saia.

R.P.: Você se descreve como influenciadora do amor próprio. É 100% feliz com sua imagem?

M.S.: Conseguir de fato fazer uma pessoa se aceitar não é uma tarefa fácil, mas quando recebo tantos depoimentos de meninas felizes, dizendo que as ajudei, isto não tem preço. Então, em uma era em que todos querem ser influenciador digital, eu quero ser influenciadora de amor próprio, porque em uma sociedade que vê gordos como feios e problemáticos, amar a si mesmo não é uma tarefa tão fácil.

Sempre faço textos nas minhas legendas para minhas leitoras, dizendo que está Ok você não se amar todos os dias. Não existe mulher que seja satisfeita 100% com seu corpo e é normal. Não sou 100% feliz com minha imagem, eu gostaria muito de ter seios menores, costas mais estreitas… aquela famosa mulher pera. Acho que é isso, mas não vou me odiar por ser gorda. Acordo todos os dias e, mentalmente, procuro me amar acima de qualquer coisa.

R.P.: Caso não, o que gostaria de mudar?

M.S.: Um sonho? Reduzir as mamas. Hoje, tenho 134 cm de busto… é até desproporcional com meu corpo. No mais, gosto de mim.

R.P.: Você é uma digital influencer e deve receber mensagens diariamente sobre o que posta. O que mais chega para você?

M.S.: Recebo muitas mensagens de mulheres que não conseguem ser felizes, que se sentem tristes e desmotivadas, não se sentem incluídas, têm vergonha de seus corpos. Mas a maioria das mensagens é de mulheres que estão descobrindo sua beleza, que estão ousando mais, que passaram a se vestir melhor, encarar o espelho e as outras pessoas de outra forma. Eu recebo esse feedback todos os dias, de como meu trabalho ajuda na autoestima delas, porque elas podem ver que uma mulher negra e gorda pode ser bonita, divertida, fashionista, sexy… e isso vale mais que qualquer coisa no que faço.

R.P.: Você tem um estilo único: mix diversos deles e o resultado final é incrível. Acredita naquela história de que cada corpo pode usar um tipo de roupa ou usamos aquilo que nos deixa feliz?

M.S.: Eu sou a triângulo invertido! O corpo que a maioria tem medo de vestir, já que com costas largas e quadris mais estreitos (no meu caso, tenho a mesma medida de costas e quadril, mas os seios aumentam ainda mais a parte de cima) fica complicado (ou não) equilibrar as medidas.

Eu não tenho regra nenhuma! Juro! Nunca me pego não comprando algo porque não é ideal para meu corpo. Se gosto, me sinto bonita, vou lá e uso. Acho que quando a gente se sente segura com alguma roupa, as pessoas em volta podem até não achar bonito, mas a sua postura em relação ao modo como está vestida faz com que elas te olhem de maneira diferente, respeitando suas escolhas. Para mim, não existe corpo difícil, existe falta de criatividade ao se vestir.

R.P.: E quais as peças em que mais aposta?

M.S.: Eu amo a terceira peça, amo coletes alongados em alfaiataria, sempre tento encaixar um em meus looks, adoro jaqueta jeans, couro. Misturar peças mais pesadas com mais delicadas é uma boa.

R.P.: E nos pés, o que mais gosta de usar?

M.S.: Salto! Vocês quase nunca vão me ver de sapatilha. Não tenho nenhuma! Sapato baixo, devo ter uns dois. Aposto muito em saltos mais grossos. Pois, como sou uma mulher pesada, é importante um bom salto para não ficar desconfortável.

R.P.: Qual foi a sensação quando experimentou um calçado Piccadilly?

M.S.: Eu nunca imaginei gostar tanto de um tênis quanto gosto e uso o meu da Piccadilly; sempre que preciso de conforto, corro para ele. Do que mais gostei, além do conforto, é que o modelo que escolhi é lindo e versátil. Eu consigo usar com looks mais arrumadinhos, deixando tudo bem moderno. Como tenho os pés gordinhos, o conforto tem de vir em primeiro lugar e disto a Piccadilly entende. Muito importante a marca olhar para todos os tipos de pés e mulheres. Afinal, unir conforto e modernidade é aposta certa.

R.P.: Para finalizar, em sua opinião, o que é “ser uma mulher real”?

M.S.: Uma mulher real é aquela que todos os dias corre atrás dos seus sonhos. Aquela que pega metrô as cinco da manhã, lotado, aquela que larga a carreira para cuidar dos filhos porque isso a faz feliz. Aquela que aos 40 anos resolve fazer faculdade porque acha que aquele é o momento certo. Aquela mulher que só consegue começar o dia depois de fazer aquele delineado gatinho para se sentir maravilhosa.

Aquela mulher negra e gorda que jamais imaginou ajudar outras mulheres a se sentirem lindas; que mesmo pesando mais de 100 quilos, já desfilou, fez fotos de biquíni, campanhas de beleza, é porta-voz de grandes marcas. Enfim, é aquela mulher que encara tudo com um segundo olhar. Aquele olhar que tudo pode se transformar… tudo pode acontecer e melhorar. Eu, com certeza, sou uma mulher real e me amo por isso.